terça-feira, 24 de janeiro de 2012

A catedral do mar – Ildefonso Falcones

Editora: Rocco
ISBN: 978-85-325-2208-5
Opinião★★★☆☆
Páginas: 592


“Bernat desapareceu entre a multidão faminta. A última coisa que Arnau viu nele foi o ódio que cuspia pelos olhos.
– Pai, aonde você vai? – gritou, quando já o tinha perdido de vista.
– Em busca da liberdade – respondeu uma mulher que também observava a multidão espalhar-se pelas ruas da cidade.
– Já somos livres – atreveu-se Arnau a afirmar.
– Não há liberdade com fome, filho – sentenciou a mulher.”


         “Quem saiu em busca de notícias foi Pere, e foi mais fácil encontrá-las do que voltar para casa.
– Sinto muito, menino – disse ele a Arnau. – Seu pai foi preso.
– Onde ele está?
– No palácio do veguer, mas...
Arnau já estava correndo em direção ao palácio. Pere olhou para a mulher e balançou a cabeça; a anciã levou as mãos ao rosto.
– Foram julgamentos de emergência – explicou Pere –, diversas testemunhas reconheceram Bernat, com aquele sinal no olho direito, como o principal instigador da revolta. Por que será que ele fez isso? Parecia...
– Porque tem dois filhos para alimentar – interrompeu-o a mulher com lágrimas nos olhos.
– Tinha... – corrigiu-a Pere com uma voz cansada. – Ele foi enforcado na Praça de Blat junto com outros nove agitadores.
Mariona levou as mãos ao rosto novamente, mas de repente as retirou.
– Arnau...! – exclamou, dirigindo-se para a porta, mas ficou a meio caminho ao ouvir as palavras do esposo:
– Deixe-o, mulher. A partir de hoje ele não será mais uma criança.”


         “Os sábios afirmavam que, por natureza, a mulher era fria e fleumática, e sabe-se que, quando uma coisa fria se acende, arde com muita força.” 


         “Os vencidos não têm esposa”. 


         “Arnau, há algo que nunca mudará na história: quem tem mais dinheiro quer mais; nunca o dá e nunca o fará.” 


         “Lutamos muito para chegar ao ponto onde estamos; esqueça a honra: ela não foi feita para o povo.”

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